Quantas vezes não desejei que o tempo voltasse atrás; quantas vezes não pensei: “Não devia ter feito isto” ou “se eu tivesse feito isto…”.
Este desejo reveste-se de importância mais profunda quando as minhas acções tocam as pessoas que me são próximas. É uma sensação de vazio, de desnorte. Um sentimento que me fixa no passado, desejando contornar a força imutável do tempo. O passado torna-se absoluto e prende-me. A dado momento o meu acto adquire importância exponencial, talvez mais do que deveria ter; talvez maximizado a algo que não correspondeu de verdade.
O que quero dizer é que o sentimento de falhar prende-nos ao passado; o não aceitar os erros mostra-nos uma realidade caiada de negro. Mas o tempo não volta atrás… e se voltar atrás que seja para pensar o futuro. O futuro e o presente, esses sim, são tempos de opção, de correcção e de acção. São os tempos que nos desprendem do passado, que nos libertam.